Acho esse desenho aterrorizante. Provavelmente devido à combinação do design bizarro da criatura com essa atitude “Whassup?”, sondando o espectador, com toda pinta de quem chegou de surpresa na cena.
Olhando esse sketch, consigo facilmente me imaginar sentado no interior de uma caverna, esperando a chuva passar para voltar à trilha na mata em que caminhava. De repente, escuto passos lentos e grunhidos do lado de fora, e imagino que seja outro montanhista procurando abrigo. No entanto, é um ser estranho que entra na gruta, fungando o ar ao redor. Meio cobra, meio urso, com um bizarro rosto humano, sem quadris ou pés visíveis e flutuando como o ET de Segredo do Abismo.
“Mas que m… é essa???!!”, penso, com os cabelos da nuca arrepiados e torcendo pra que não me veja. Fungando o ar ao redor, a criatura toma consciência de minha presença e vira em minha direção, com um rosto inquisitivo. Ele estaca. Eu gelo. E agora??
Sobe a legenda: “To be continued”. Corta para os créditos.
09 Outubro 2009 às 18:58
Henrique
Rabisco feito no piloto automático.
29 Setembro 2009 às 21:00
Henrique
Antes de perder a cola, o olho acima, feito em um singelo post-it, ficava colado no alto do meu monitor do escritório. O periférico ficava parecido com um Beholder, se me permitem a recaída de nerdice RPGística.
Eu dizia ao colegas que o havia posto ali pra vigiar o que acontecia pelas minhas costas, mas na verdade eu só desenhei, achei legal e colei. Vai entender.
Agora, aqui jaz.
Desenhado com lápis nº 2, lápis Dürer branco da Faber Castell e canetas esferográfica preta e vermelha em um post-it comum. Trucagem (sombra, texto, fundo e ajuste de cor) no Photoshop.
23 Setembro 2009 às 18:33
Henrique
Coroa e seu cachorro no tradicional passeio matinal de distribuição de mau-olhado.
Esferográfica em bloquinho de anotações.
16 Setembro 2009 às 17:49
Henrique
Mais um desenho das antigas (meados de 2005). Começou como um desenho de observação da minha prancheta, que na época estava desencapada e uma verdadeira zona: disquete, lâmpada de luminária, luminária quebrada, bloquinho de curso de computador, elástico, carregador de celular, moedas, isqueiro, maço de cigarro, capinha de CD, livro, folder… Ah, e um ou outro sketch.
Depois digitalizei e testei uma colorização meio tosca, baseada em formas simplificadas (inspirado por alguns trabalhos do Moon e Bá e do Weberson Santiago). Interessante a dinâmica desse estilo de cor com o traço hachurado.
Desenho de observação é hipnotizante, quase uma meditação. Durante alguns minutos você se concentra apenas em traduzir o objeto para o papel, limpando a mente das encucações cotidianas…
10 Setembro 2009 às 11:41
Henrique
Depois de 20 dias de shipping, finalmente chegou.
Saía eu de casa na semana passada, numa rara pausa entre pancadas de chuva (Petrópolis…), quando encontrei, no quintal de minha casa, meu exemplar de Asterios Polyp, graphic novel de David Mazzuchelli que foi lançada há apenas alguns meses e já está sendo considerada uma das melhores de todos os tempos. Comprei por encomenda simples pela Better World Books e devo tê-lo encontrado logo após ter sido “entregue” (atirado por cima do muro) pelo carteiro, já que o embrulho, miraculosamente, estava seco e havia escapado à atenção das duas vira-latas da família.

Dois dias depois, terminei a leitura e, apesar de ainda não ter conseguido captar tudo que o denso roteiro oferece, já pude concordar em parte com a opinião geral. O trabalho de David Mazzuchelli dispensa apresentações, mas uma coisa a se comentar é sua maestria ao empregar a arte em favor de seu enredo. O traço de Asterios Polyp varia de rebuscado a simples em função da história e do personagem, conforme a tese de que cada indivíduo percebe a realidade de maneira própria. Há sequências fascinantes (imagem acima) nas quais os traços dos personagens convergem lentamente, mostrando como a sintonia entre pessoas influi em suas percepções; ou, por outro lado, ocasiões em que uma briga é representada pela introdução repentina de estilos diferentes.
Além do traço, Mazzucheli faz barba, cabelo e bigode da própria linguagem dos quadrinhos. Ao contrário de uma V de Vingança, onde a busca pela transparência (diminuir a consciência do “dispositivo”, aumentando a imersão na história) leva os autores ao ponto de eliminar onomatopéias e balões de pensamento para emular um clima cinematográfico, em Asterios Polyp essas particularidades do meio são utilizadas em todo o seu potencial. Entre os malabarismos desempenhados pelo autor, estão:
- utilização expressiva das cores, do layout da página e das onomatopéias;
- brincadeiras com requadros intersectados e travellings;
- balões cujos “rabichos” se enroscam, conforme aumenta o envolvimento emocional entre os interlocutores de um diálogo;
- uso de fontes e balões diferentes para os textos de cada personagem, além da já mencionada variação no traço;
- conversas em “off” (fora da continuidade) entre o narrador e o protagonista;
- rimas visuais;
- utilização de elementos simbólicos;
Entre outros, e tudo usado de forma adequada, sem “masturbação”. Poucas vezes se viu um uso tão efetivo dos quadrinhos como mídia: se contada em outro formato, Asterios Polyp seria definitivamente uma história mais pobre.
O livro narra a jornada heróica do personagem título, cheia de referências à Odisséia de Homero. Resumindo: Asterios Polyp é um intelectual narcisista, professor universitário e arquiteto premiado que nunca teve nenhum projeto construído. Quando um raio atinge seu prédio e interrompe uma sessão de fossa pós-divórcio, ele coleta alguns pertences em meio ao incêndio e simplesmente abandona sua vida, comprando aleatoriamente uma passagem de ônibus para o cafundó do Judas. Hora de começar de novo.
Para mais detalhes, veja as resenhas do Comics Reporter e do NY Times. Para importar, sugiro a Better World Books (frete mundial de apenas US$4).
03 Setembro 2009 às 19:37
Henrique
Ilustração para a capa de um projeto de longa da Fuzo Produções, inspirado na peça Bárbara Não Lhe Adora.
Update: um pouco mais sobre a ilustração. A imagem foi baseada em uma cena da peça, enviada pelo Bernardo Palmeiro, da Fuzo, de onde tirei a iluminação em backlight. Decidi por um enquadramento mais dinâmico e dramático (contra-plongeé), que permitisse dar destaque à personagem central e mostrar um pouco de sua atitude.
Outro pedido foi que o desenho tivesse uma cara “trash”, o que definiu o traço hard da ilustração. Fiz um hachuramento a la Joe Sacco ou Crumb nos personagens, deixando mais iluminada a personagem focal (a coroa amordaçada, “Bárbara”, levemente inspirada na Rita Lee).
Essa imagem foi feita no que chamo de “meu estilo principal”, o hachurado-sujo, sobre o qual falei um pouco neste post. Interessante comparar com o estilo “limpo”, como o da Emília recentemente postada, que considero meu “segundo traço”.
Às vezes acho que estou chegando em uma síntese entre os dois, como nas ilustrações para a revista Mundo Estranho (as outras três estão neste post):
18 Agosto 2009 às 18:59
Henrique
Arte para flyer de festa de aniversário de amiga indie, cujo título era “start a fire”. A imagem representa uma menina com trajes alternativos ocultando um isqueiro, como se prestes a iniciar um incêndio. Já houve, no enatnto, quem dissesse que o desenho evoca uma cena específica de Débi & Lóide… Quem viu sabe do que estou falando.
10 Agosto 2009 às 20:54
Henrique
Depois do lançamento de Turma da Mônica Jovem e Luluzinha Teen, resolvi seguir a moda e fazer uma sugestão: as aventuras universitárias do Sítio do Picapau Amarelo. Essa é a boneca Emília em sua versão adulta, inflável e pronta para a vida loca das chopadas e festas de repúblicas.
06 Agosto 2009 às 04:48
Henrique
Ainda no embalo do último post sobre os pisantes azuis de Elvis, resgatei este outro desenho com tema parecido. A arte é do tempo do guaraná de rolha: foi criada em 2006 para um workshop de finalização em nanquim com o Meton Joffily na Semana de Quadrinhos da UFRJ.
Este traço de linhas grossas e limpas, empregado acima e nos blue suede shoes, é o que eu poderia chamar de “meu estilo secundário” e vem emergindo há alguns anos. Ainda sai um pouco rígido, mas proporciona resultados interessantes (como este Morrissey). Costumo empregá-lo quando finalizo o desenho com pincel.
O estilo preferido, claro, é o sujo hachurado já visto em tantos posts neste blog. Por ser criado com ferramentas mais simples e “velozes” como caneta e lápis, que libertam mais a mão e exigem menos técnica, este tipo de traço tende a originar obras mais livres, espontâneas. Abaixo, para comparação, um rabisco nessa linha, que já apareceu em outro post.
04 Agosto 2009 às 19:51
Henrique
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