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Cartaz: comunicação corporativa na parede

24 Junho 2009 às 19:13 Henrique  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 843

doe sangue celso lisboa

Pôster para a campanha de doação de sangue do Centro Universitário Celso Lisboa (2008).


O cartaz é uma das mídias mais interessantes e difíceis para se trabalhar. A peça precisa ser concisa, já que o formato e o tipo de utilização não favorecem texto. Como não dispõe da mamata de, por exemplo, um anúncio em revista — estar no colo do espectador e, ao virar de uma página, aparecer de repente no centro de seu foco visual — tem também que pegar o sujeito de passagem, disputando atenção com o ambiente em volta e com os “concorrentes” colados na mesma parede. Portanto, é importante que tenha muito impacto visual.

Tudo isso faz com que o pôster seja um meio eminente gráfico e dado a maiores “viagens” visuais.

Trabalho como designer no setor de Marketing do Centro Universitário Celso Lisboa, onde os cartazes, muito utilizados no interior do campus, proporcionam algumas das poucas oportunidades para desbundes gráficos. No entanto, a série de restrições envolvidas na comunicação empresarial de uma faculdade podem tornar bastante desafiadora a lida em nossa agência in-house:

  • as regras de identidade visual reduzem o número de fontes, cores e elementos disponíveis.
  • o prazo curtíssimo e a equipe reduzida exigem layouts simples. Fujo desse rococó contemporâneo (”neo-firulativismo”, como brilhantemente definiu o Renato Alarcão), cheio de volutas, colagens e texturas, como o diabo da cruz.
  • Por último, uma vez que não vale a pena alocar verbas para certas peças com foco estreito, a utilização de imagens é bastante limitada.

A solução que costumo usar para contornar estas dificuldades é investir em ilustrações simples de produção própria e no all-type. Alguns ficariam surpresos com a sofisticação que pode ser obtida de elementos simples.

campanhas - campanhas

Cartazes de campanhas sociais da Celso Lisboa. Prazo e verba curtos estimulam a simplicidade e o uso de ilustrações de produção própria.


O impacto visual, no entanto, pode não ser suficiente. Em locais como a Celso, onde administração, coordenações de cursos, parceiros conveniados e “terceiros” autorizados emitem dezenas de mensagens por semana, disputando no mesmo espaço a atenção de milhares de alunos em recortes variados, a comunicação interna exige um esforço prévio de planejamento e integração: se tentar impactar o espectador indiscriminadamente a cada nova arte, corro o risco de transformar o campus em uma zona, onde, por tudo procurar chamar a atenção, nada chama a atenção.

A vantagem é que, pelo menos nas próprias paredes, temos ferramentas além do impacto para minimizar o ruído. O segredo é racionalizar a distribuição da informação:

  • Organização. Dentro dos murais temáticos, vale a pena separar as mensagens por assunto (questões acadêmicas, comunicados, mensagens de terceiros, etc) ou data, por exemplo. E nunca esquecer de retirar as mensagens com data expirada ou danificadas.
  • Priorização. Divulgando cada pequena mensagem em uma peça própria, só conseguimos escondê-las em uma sopa de papel indistinta na qual não se encontra nada. Melhor unificar mensagens relacionadas e eliminar o que funciona em outras mídias.
  • Consistência. É interessante criar identidades visuais e templates para as peças de saída regular. Além de agilizar o trabalho, estes templates ajudam o leitor a reconhecer a mensagem com mais prontidão. O que não significa engessar o layout: com um bom projeto, pode-se uniformizar as artes sem torná-las maçantes.

eventos ucl - Cartazes de alguns dos eventos da Celso Lisboa

Alguns cartazes do setor de Eventos da Celso Lisboa, com identidade visual ainda em consolidação. Mesmo com o layout unificado, a variação no grafismo permite que cada peça tenha uma “cara” própria.



O pôster é um meio visual de fruição rápida. Muito poucas pessoas sairão de seu caminho para ler uma bíblia na parede, a não ser que o assunto seja extremamente relevante. O cartaz ideal atrai e incentiva o espectador a se informar; quanto mais focado e conciso, mais eficiente, ainda mais se estiver exposto na rua ou em espaços muito carregados com outras peças.

A máxima “menos é mais” deve, portanto, tornar-se um dogma. Se é preciso transmitir uma grande quantidade de dados, melhor apresentar uma versão resumida e informar ao leitor onde pode obter a informação na íntegra, em uma mídia que possa ser lida com mais conforto.

No mais, resta lembrar do óbvio: independente da vontade do designer de inovar e criar cartazes épicos, somos comunicadores. A função primordial de qualquer anúncio é informar, e tudo que dificulte a plena apreensão da mensagem é ruído e perfumaria.

simples - simples

“Menos é mais”: na maioria das vezes, simples é o bastante.


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