Heróis do Traço II - Russ Nicholson em A Cidadela do Caos
16 Junho 2009 às 04:23 Henrique | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1315
Ou “Reminescências de um Ex-quase-RPGista”.
©Russ Nicholson. Imagem: Titannica
Russ Nicholson é o cara responsável pela arte interna de um livro que marcou minha pré-adolescência: A Cidadela do Caos, de Steve Jackson e Ian Livingstone. Trata-se do segundo volume da coleção de “livros-jogos” Fighting Fantasy, da Wizard Books (publicada no Brasil pela Marques Saraiva). Cada volume contém uma “aventura-solo” completa, semelhante a um RPG, mas que, como o termo indica, deve ser jogado por apenas uma pessoa. No livro, o leitor vive um aprendiz de feiticeiro em missão para libertar um povoado do jugo de um general maligno.
©Russ Nicholson. Imagem: RPGNet Forums
A mecânica do jogo é interessante: a história é dividida em trechos numerados, que não fazem sentido se lidos na ordem natural. Ao fim de cada um deles deve-se escolher um dos rumos apontados para ir em frente e seguir para o trecho de número indicado na opção desejada. Ao longo da aventura, também é preciso encarar os inimigos com que se esbarra no caminho, em lutas decididas com base em uma ficha de personagem e em lances de dados. Escolhendo as opções certas e dando sorte no mano-a-mano, chega-se ao fim do livro.
©Russ Nicholson. Imagem: RPGNet Forums
Nicholson comparece com ótimos desenhos a traço de página inteira, legendados com citações do trecho a que dizem respeito. Utiliza um hachuramento espontâneo que difere, por exemplo, da arte do John Findley (abordado no primeiro post desta série) com seus “movimentos friamente calculados”. O resultado são ilustrações impactantes, que trasmitem muito bem o tom caótico e sujo que se poderia esperar de um lugar como a cidadela do título. Em meados da década de 90, o jovem Henrique, pré-adolescente, nerd e muito interessado no tema da “fantasia medieval”, nunca vira nada igual e passava horas admirando aquelas obras.
©Russ Nicholson. Imagem: Titannica
Esse livro foi o primeiro empurrão em minha progressão de usuário recreativo de “sword and sorcery” para o RPGista mediano que fui até os 15 anos. Se antes o máximo a que eu chegava era ler Conan, assistir a Caverna do Dragão e Willow e jogar Hero Quest ou Golden Axe,depois de Cidadela do Caos logo estava comprando tudo relacionado a RPG e fantasia medieval: revistas especializadas, livros com sistemas de regras, miniaturas de chumbo e dados com quantidades bizarras de lados, além, é claro, de passar a ler livros como Senhor dos Anéis, O Hobbit, Brumas de Avalon, A Morte de Arthur, etc.
©Russ Nicholson. Imagem: RPGNet Forums
Minha faceta RPGística não duraria muito tempo. Primeiro, porque lia mais do que jogava; segundo, em minha turma eu era o único que se animava a mestrar uma partida (ou seja, sempre fui a “banca”). E além disso, ninguém de meu grupo regular (inclusive eu) se empolgava muito com interpretação ou seguir à risca as personalidades dos personagens. Nossas partidas eram simples rodadas de “matar-pilhar”, onde todo mundo fazia o que dava na veneta dentro dos cenários que eu bolava.
Não demorei a me enfastiar da mesmice e perceber que gostava mais dos temas abordados e das ilustrações dos livros do que do jogo em si. Mesmo assim, posso dizer que o RPG foi, junto com o vício em gibis de super-heróis, a motivação inicial para que eu desenvolvesse o hábito de desenhar. Curiosamente, hoje abandonei os dois hábitos…

©Russ Nicholson. Imagem: Titannica
É uma pena que um ilustrador tão habilidoso quanto Russ Nicholson tenha sumido do mapa. Não achei nem mesmo um portfolio virtual, apenas essa entrevista no site da Fighting Fantasy. Lá o cara reclama de ser pouco lembrado para novos trabalhos, talvez por seu tipo de arte não estar na moda e por ser identificado com um nicho temático muito específico. Parece que ele precisa rápido de um agente ou de um esforço básico de visibilidade: site, blog e prospecção ativa de clientes. De minha parte, fica aqui este tributo.

©Russ Nicholson. Imagem: Wizard Books
Heróis do Traço é uma série de posts onde falo de alguns artistas que admiro - seja por terem influenciado meu estilo de desenho, minha “visão artística” ou minha vida, ou simplesmente por gostar de sua arte. Não há nenhum critério de postagem, a não ser a ordem em que me aparecem na telha.
Publicação arquivada em: dicas, livros, inspiração, heróis do traço
Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1316





Deixe um Comentário
Linkar esta publicação | Assine os comentários via o RSS